Este provérbio leva-nos a pensar que os dias luminosos de verão estão a acabar, aproximam-se noites longas, o Sol “põe-se” mais cedo. A palavra outono teve origem no termo latino autumnus que significa "época de colheita" / "amadurecimento" o que releva a importância agrícola da estação, pois muitos produtos agrícolas estão prontos a ser colhidos, porque maduros, estando garantido deste modo os alimentos para os meses frios que se aproximavam:
- A castanha o fruto que o São Martinho eleva, as uvas que darão origem ao vinho e que estará presente nas celebrações, pois a ele podemos associar a ideia de libertação das convenções sociais.
Os citrinos chegam à mesa e, naturalmente, as maçãs, as peras, os marmelos, as romãs… As nozes, as amêndoas e as avelãs acrescentarão algo muito especial à alimentação.
As abóboras abundam e serão a base de sopas.
Com a chegada do outono os rituais de agradecimento pela abundância das colheitas vão acontecendo e contribuem para que os dias fiquem menos tristes!
Mas contrastando com a escuridão, que chega mais cedo, os dias de outono trazem cores suaves, pois a natureza brinda-nos com uma magnífica palete de cores ao vestir as árvores de amarelo e vermelho, de laranja, castanho, verde e mesmo de tons violeta!
Mas neste outono de 2025 os nossos olhos choram a dor da perda da floresta. As serras à nossa volta, normalmente pintadas com sublime palete de cores, tendem agora a ser de negro pintadas.
Troncos negros erguem-se como visões fantasmagóricas e as cinzas substituem as folhas no chão.
Os fogos de verão foram severos, cruéis!
Ficamos mais pobres.
Sempre atentos os nossos heróis interpretam esse sentimento, esse estado de alma.
Rouxinol Trovador não canta como habitualmente.
Mas no ar há um murmúrio — um dia, o canto voltará e, qual semente, resistirá sob a cinza, no solo queimado, para mais tarde renascer.
Universo original de Mochofino




