segunda-feira, setembro 22, 2025

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No outono o sol tem sono

 

Este provérbio leva-nos a pensar que os dias luminosos de verão estão a acabar, aproximam-se noites longas, o Sol “põe-se” mais cedo. A palavra outono teve origem no termo latino autumnus que significa "época de colheita" / "amadurecimento" o que releva a importância agrícola da estação, pois muitos produtos agrícolas estão prontos a ser colhidos, porque maduros, estando garantido deste modo os alimentos para os meses frios que se aproximavam: 
 - A castanha o fruto que o São Martinho eleva, as uvas que darão origem ao vinho e que estará presente nas celebrações, pois a ele podemos associar a ideia de libertação das convenções sociais.
Os citrinos chegam à mesa e, naturalmente, as maçãs, as peras, os marmelos, as romãs… As nozes, as amêndoas e as avelãs acrescentarão algo muito especial à alimentação.
As abóboras abundam e serão a base de sopas.
Com a chegada do outono os rituais de agradecimento pela abundância das colheitas vão acontecendo e contribuem para que os dias fiquem menos tristes!
Mas contrastando com a escuridão, que chega mais cedo, os dias de outono trazem cores suaves, pois a natureza brinda-nos com uma magnífica palete de cores ao vestir as árvores de amarelo e vermelho, de laranja, castanho, verde e mesmo de tons violeta!
Mas neste outono de 2025 os nossos olhos choram a dor da perda da floresta. As serras à nossa volta, normalmente pintadas com sublime palete de cores,  tendem agora a ser de negro pintadas.
Troncos negros erguem-se como visões fantasmagóricas e as cinzas substituem as folhas no chão.
Os fogos de verão foram severos, cruéis!
Ficamos mais pobres.
Sempre atentos os nossos heróis interpretam esse sentimento, esse estado de alma.
Rouxinol Trovador não canta como habitualmente.
Mas no ar há um murmúrio — um dia, o canto voltará e, qual semente, resistirá sob a cinza, no solo queimado, para mais tarde renascer. 

   Universo original de Mochofino
 

sexta-feira, setembro 19, 2025

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Depois da tempestade vem a bonança

  

Depois da tempestade vem a bonança
Este é um dos provérbios mais conhecidos e, se interpretado linearmente, refere-se a uma situação climática: após uma tempestade, o tempo melhora e surge a bonança, o céu limpo, a tranquilidade.
Mas, à semelhança de todos os ditos populares, encerra um sentido figurado ligado à vida: depois de momentos difíceis, virão tempos melhores. Estamos perante uma manifestação de esperança sugerindo que o tempo de sofrimento terá um fim, não dura para sempre.
Este provérbio e a releitura da Cantilena, de Sebastião da Gama, levou-me a criar um aliado para ajudar a interpretar este provérbio com um olhar diferente. Apresento o Rouxinol Trovador.

O Rouxinol Trovador canta durante a tempestade, não depois.

A tempestade: representa o caos, o medo, o momento em que tudo parece correr mal; a bonança não é apenas o fim da dor, da tempestade, é a luz que voltará após a escuridão.

A floresta estava a ser atingida por ventos impiedosos e quando a tempestade chegou as aves abrigaram-se o melhor possível entre os ramos das árvores, no interior de troncos ocos, sob as folhas, e esperavam que o tempo mudasse e melhores dias chegassem.
Todas... menos uma!
O Rouxinol Trovador, pequeno e corajoso, entre os espinhos de um silvado e exposto ao vento e à chuva, cantava enquanto todos se curvavam perante a tempestade. Cantava porque sabia que o som do seu trinado iria abrir caminho onde a escuridão reinava.

Escondidas, as aves murmuravam entre si:
— “Está louco. Vai ser levado pelo vento.” — “Não vê que ninguém o vai acompanhar?” — “O canto é bonito, mas não muda o tempo.”
O tempo estava agreste, mas o Rouxinol Trovador continuava a cantar.
A pouco e pouco, o céu começou a clarear. Não por magia, mas porque o canto rompeu a escuridão, o vento acalmou e as nuvens escuras e cerradas foram-se dissipando, a luz chegou.
As aves saíram dos seus esconderijos e o Rouxinol continuava a cantar.
Uma das aves aproximou-se e perguntou:
— “Por que cantaste, quando tudo parecia perdido?”
O Rouxinol respondeu:
— “Porque o canto não espera o fim da tempestade. Ele é o começo da bonança.”

  Universo original de Mochofino

quarta-feira, setembro 10, 2025

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Só sei que nada sei

   

Só sei que nada sei.

Esta afirmação utilizada, vezes sem conta, como provérbio, como dito popular, é uma máxima atribuída a Sócrates e é comum ser interpretada como traduzindo a ideia de que ninguém é dono da verdade e que aponta para a importância de ser corajoso para admitir que não se sabe tudo.

A sabedoria popular também interpreta este provérbio como algo que se constrói com o tempo, que se aprende com os erros e com o diálogo.

Este dito parece ser uma paráfrase do pensamento socrático, aproveitando a máxima “Conhece-te a ti mesmo”, uma vez que para Sócrates o autoconhecimento era o ponto de partida para a sabedoria, a ética e a vida justa.

Sócrates acreditava que o verdadeiro conhecimento só poderia ser alcançado por meio da autoanálise e do questionamento constante e este modo de pensar levou à maiêutica: método que consistia em fazer perguntas para que o interlocutor descobrisse verdades por si mesmo.

De forma clara rejeitou a sabedoria aparente e frequentemente confrontava os que se diziam sábios, mostrando que não se conheciam a si mesmos, nem os conceitos que defendiam.

Universo original de Mochofino

quinta-feira, setembro 04, 2025

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Onde há vontade, há um caminho!

   

Um novo provérbio, uma interpretação para o mesmo.

“Onde há vontade, há um caminho!”
Este provérbio tende a ser interpretado como sendo a força de vontade o garante da construção de caminhos. Isto é, a vontade é a solução para superar obstáculos e alcançar objetivos. Basicamente sugere que a determinação é a força capaz de ultrapassar os obstáculos que a vida vai revelando.
Mas será que a força de vontade é suficiente?

Poucos dias passaram desde que foram conhecidos os resultados das colocações dos alunos no ensino superior. Alegrias, tristezas, desespero e aceitação, de tudo um pouco foi possível encontrar nas declarações dos alunos, dos pais, dos professores...
Para alguns, anos de esforço, noites mal dormidas e caminhos meticulosamente desenhados e cumpridos trouxeram lágrimas de felicidade, abraços bem apertados e aquela sensação de que, finalmente, tudo valeu a pena.

Para outros, porém, o cenário foi muito diferente, pois a não colocação ou a entrada num curso que não era a primeira escolha gerou frustrações, silêncios pesados, angústias, sentimentos de injustiça...

Há quem se questione sobre o valor do esforço, sobre o que fazer a seguir, sobre se vale a pena tentar outra vez, mas há também quem encontre a aceitação, que não a resignação, de admitir que o caminho a percorrer não é simples e que os sonhos podem ser adiados, mas não apagados.

Mochofino sugere que a vontade de continuar é o que transforma cada obstáculo numa nova oportunidade e é esta interpretação que deve ser valorizada no dito popular:
“Onde há vontade, há um caminho!”

Universo original de Mochofino

Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino