segunda-feira, outubro 26, 2026
sábado, outubro 17, 2026
A Física do pôr do Sol – O segredo das cores - 2ª parte
Vamos agora tentar compreender como se formam os esplendorosos pores do Sol.
No interior do Sol ocorrem reações de fusão nuclear, convertendo hidrogénio em hélio e libertando enormes quantidades de energia sob a forma de radiação eletromagnética. Essa energia acaba por chegar à superfície solar e é emitida sob a forma de fotões, as partículas da luz, associados a diferentes frequências e comprimentos de onda.
De toda a radiação emitida pelo Sol, apenas uma pequena fração pertence à região visível do espectro eletromagnético, referimo-nos a ela como luz solar e é percecionada pelos nossos olhos como luz branca, resultante da combinação de todas as cores do espectro visível (cores do arco-íris). É esta luz que está na origem dos magníficos pores-do-Sol.
Quando a luz atravessa a atmosfera terrestre, as diferentes cores não são afetadas da mesma forma. As radiações de menor comprimento de onda, como o azul e o violeta, são mais fortemente dispersadas pelas moléculas dos gases presentes no ar, num fenómeno conhecido como dispersão de Rayleigh.
Quando o Sol está mais alto no céu, a luz percorre uma camada relativamente fina da atmosfera. As moléculas dos gases da atmosfera dispersam mais intensamente a luz azul do que a vermelha. Embora a luz violeta seja dispersada ainda mais intensamente do que a azul, os nossos olhos são menos sensíveis a essa cor. Por isso, o céu apresenta-se com aquela cor azul característica.
Ao pôr do sol, a luz tem de percorrer um trajeto mais longo através da atmosfera e grande parte da luz azul e violeta é dispersada para fora da linha de visão. Permanecem predominantemente os comprimentos de onda mais longos, correspondentes aos tons amarelos, laranja e vermelhos.
Além da dispersão de Rayleigh, também entram em jogo partículas de maiores dimensões, como poeiras dos desertos, fumo de incêndios e gotículas de água. Estas partículas provocam a designada dispersão de Mie, contribuindo para intensificar os tons vermelhos e alaranjados.
Quando observamos um magnífico pôr do Sol, estamos a assistir ao resultado de vários fenómenos físicos que envolvem a natureza da luz e a composição da atmosfera. A beleza que contemplamos é, afinal, a Física em ação.
Universo original de Mochofino.- Ano II
sexta-feira, outubro 16, 2026
A Física do pôr do Sol - A natureza da luz [1ª parte]
Vamos tentar responder, de forma simples e contextualizada.
Comecemos por perceber o que é a luz, qual a sua natureza.
Explicar o que é a luz e qual a sua natureza, é um problema que dividiu opiniões e gerou enormes discussões durante mais de dois milénios. No entanto, o debate científico concentra-se entre os séculos XVII e XX.
No século XVII surge uma grande controvérsia entre Newton, que defendia que a luz era constituída por pequenas partículas emitidas pelas fontes luminosas e Huygens que propunha que a luz era uma onda que se propagava através do hipotético “éter”.
A explicação avançada por Newton foi a mais aceite, muito devido ao enorme prestígio que recolhia entre a comunidade científica. Mas no início do século XIX a teoria ondulatória ganhou um forte apoio quando Young demonstrou experimentalmente que a luz sofria interferência ao atravessar duas fendas muito estreitas.
Se a luz fosse constituída apenas por partículas, esperar-se-iam duas bandas luminosas. No entanto, surgiu uma sucessão de faixas claras e escuras.
Algumas décadas mais tarde Maxwell demonstrou teoricamente que a luz corresponde a uma onda eletromagnética, a questão parecia resolvida: a luz era uma onda.
No início do século XX surgem alguns fenómenos que a teoria ondulatória não consegue explicar. Planck introduz o conceito de quantum de energia e Einstein explica o efeito fotoelétrico admitindo que a energia está quantizada, desenvolvendo a ideia proposta por Planck. A luz revela assim uma componente corpuscular, descrita através dos fotões.
Nos anos 20, com o desenvolvimento da Mecânica Quântica por Heisenberg, Schrödinger e outros físicos, consolidou-se a ideia de que a luz manifesta propriedades ondulatórias e corpusculares. Com De Broglie surgiu a ideia de que esta dualidade não é exclusiva da luz: toda a matéria possui igualmente natureza dual. Esta dualidade onda-partícula constitui um dos pilares da Mecânica Quântica.
Universo original de Mochofino.- Ano II
quarta-feira, outubro 07, 2026
Falar pelos cotovelos
sábado, setembro 26, 2026
A arrogância vem antes da perda
domingo, setembro 20, 2026
Pedro Hispano - Papa João XXI - 750 anos do seu pontificado
quarta-feira, setembro 16, 2026
Bom ozono, mau ozono e Protocolo de Montreal
O papel do ozono depende exclusivamente do contexto atmosférico em que se encontra. Por isso, a classificação de “bom” ou “mau” não descreve a molécula, mas sim a função que desempenha. Então, porque surge esta distinção?
A camada de ozono, localizada na atmosfera e em concreto na estratosfera, entre os 20 e os 35 km de altitude, filtra uma parte da radiação ultravioleta [UV-B e UV-C] que atinge a Terra e, deste modo, atua como camada protetora da vida deste nosso planeta azul. Esta camada tem origem na reação química que ocorre entre o oxigénio molecular e a radiação solar.
Bem mais próximo da superfície terrestre, na camada da atmosfera que designamos por troposfera, [até aos 10 km de altitude] também existe ozono que tem origem na reação fotoquímica entre os poluentes urbanos, resultando ele próprio um poluente secundário que causa problemas respiratórios graves, irritação ocular e prejudica quer as florestas, quer colheitas.
Há cerca de quatro décadas identificou-se uma degradação da camada de ozono, provocada entre outros por clorofluorcarbonetos (CFC), gases usados, por exemplo em frigoríficos e em aerossóis, que originam radicais de cloro. Cada átomo de cloro pode destruir dezenas de milhares de moléculas de ozono.
Perante uma ameaça de efeitos devastadores, a comunidade internacional adotou medidas firmes e coordenadas para proteger a saúde humana e o ambiente contra os efeitos negativos que resultam das atividades humanas.
Proibir o uso dessas substâncias e emitir o Protocolo de Montreal - permitindo que a camada de ozono recuperasse de forma gradual – a decisão certa.
16 de setembro, este foi o dia proclamado na Resolução 49/114, adotada na Assembleia Geral da ONU de 23 de janeiro de 1995, para sinalizar a importância de cuidarmos da camada de ozono, este escudo natural da Terra.
Este ano celebra-se o Protocolo de Montreal sob o lema «Ação global para um planeta mais fresco». O Protocolo de Montreal demonstrou que políticas sustentadas na participação universal e no compromisso político, são capazes de produzir resultados.
Mochofino diria: Assim queiramos mais vezes — sobretudo quando a ciência nos mostra o caminho.
sábado, setembro 12, 2026
Anda tudo num corrupio
segunda-feira, setembro 07, 2026
Podia apresentar algumas curiosidades sobre a escala Fahrenheit, mas …
O artigo chama a atenção para o facto da percentagem de portugueses que afirma ter o costume de ler por prazer, ter caído de 72% para 59% e realça que a tendência se verifica à escala global.
Mais, faz notar a gravidade do problema referindo que a edição da revista norte-americana “The Atlantic” publicou um ensaio extenso sobre o tema com o título “The Age of Reading is Over” (A Era da Leitura Acabou).
Uma passagem no texto remete-nos para a existência de estudos evidenciando que a proporcional redução dos hábitos de leitura é acompanhada por “… uma diminuição da capacidade de concentração, mas também por uma erosão de competências ligadas ao pensamento crítico, à interpretação e ao processamento sintático e semântico…”
É uma erosão que já se nota no quotidiano: alunos com menor resistência ao esforço mental, pessoas que lutam para manter foco contínuo, cidadãos que participam em debates com argumentos cada vez mais reativos, pouco profundos.
Pensando acerca do tema, recordei Fahrenheit 451, o romance distópico de Ray Bradbury. Atentei que alguns dos mecanismos sociais, tecnológicos e culturais que o autor imaginou estão hoje presentes.
Na obra ficcional, os livros tornaram se ilegais porque a sociedade já os tinha abandonado e os que restavam eram queimados para impedir que as pessoas pensassem, sentissem, comparassem, questionassem. Quem lia era visto como perigoso, estranho, subversivo.
Hoje, os algoritmos de recomendação empurram para conteúdos fáceis, rápidos, e para notícias instantâneas que substituam análise por reação. Sente-se que paira no ar uma hostilidade ao conhecimento complexo — “se não cabe num vídeo de 30 segundos, não serve”.
Bradbury antecipou uma cultura onde pensar é desconfortável.
Observação: 451 graus Fahrenheit [233 ºC] é o valor clássico aceite para a temperatura de autoignição do papel comum usado nos livros. Curioso, não é?..
Universo original de Mochofino.- Ano II
domingo, julho 12, 2026
Ter pano para mangas
Ter pano para mangas
ou quando um ministro da educação corre atrás do prejuízo porque o sistema o obriga a isso.
Há uma explicação popular, mas frágil, que tenta ligar a expressão aos séculos XVI–XVIII, quando as mangas das roupas eram longas e luxuosas, mas aquelas eram feitas separadamente e até compradas já prontas.
A origem mais consistente é artesanal, ligada ao século XIX.
Independentemente da sua origem, de forma mais ou menos recorrente a questão dos exames nacionais regressa à ribalta e dia após dia, desmentido após desmentido, aqui temos pano para mangas. E como não falta a criatividade, agora até surge uma nova dimensão: a possibilidade de indemnização às famílias!
Fica por demais evidente a conceção de um sistema de ensino que tem no exame nacional o seu paradigma! Fraco padrão.
É fraco porque reduz o ensino a uma métrica.
É fraco porque não avalia competências.
É fraco porque cria dependência estrutural.
Desligar os objetivos do ensino secundário do imperativo que é a nota de acesso ao ensino superior impõe-se e é urgente. O momento é de mudanças e as roturas são o tempo certo para decisões ousadas. Esta posição não é pacífica, mas não há razões fortes que a contradigam.
Carl Rogers assumia não ser desejável que um curso terminasse num exame baseado em livros mais ou menos ditados por um professor que desempenha o papel que lhe é atribuído por costume e tradição e que alguns teimam em perpetuar.
Também é verdade que alguns alunos e outros na comunidade educativa, desejam que os professores lhes proporcionem um pedaço de mercadoria intelectual tratada, de modo a ser memorizada e a ser devolvida em exame. É uma opção legítima.
O simples reconhecimento de factos tem o seu valor, é verdade, mas é pouco, muito pouco! As aprendizagens têm de promover mudanças, alterações significativas. O papel do professor é proporcionar os meios aos seus alunos de modo que possam resolver problemas.
Mochofino está de férias, mas não resistiu. Pousado no seu galho habitual e ao ver a confusão instalada, lembra uma exortação antiga — não sejam um vagão de munições; sejam uma espingarda.
A imagem não nasce da exortação, mas do professor de história que Rogers cita — um homem moldado pela Primeira Guerra Mundial, para quem os factos eram munições e o conhecimento só valia quando disparado.
Pois bem, enquanto não se romper este paradigma, haverá sempre pano para mangas.
segunda-feira, julho 06, 2026
Quem espera sempre alcança
Mas
há dias em que a atitude das pessoas parece provar o contrário: preferem lavar
as mãos como Pilatos, fugir e evitar o que lhes toca. Em vez de enfrentarem
os problemas e se responsabilizarem, agem como se nada tivesse a ver com elas e
afastam‑se.
Pouco
lhes importa o que pode acontecer aos outros; não poucas vezes apelam a um lado mais
cristão e incitam os
demais a fazer bem, sem olhar a quem, como se a bondade fosse um gesto
automático, desligado
da responsabilidade de olhar verdadeiramente o outro.
Por
vezes cometem verdadeiras loucuras — mas todos sabemos que loucuras não
remedeiam loucuras, e que a pressa de decidir raramente conduz aos melhores
resultados, pois depressa e bem, não há quem. À mesa do café, ah… aí são
todos sábios. Cada um com a sua verdade, porque cada cabeça sua sentença.
Defendem
ideias apenas porque sim, ou porque gostam de servir, ainda que, muito
frequentemente, quanto mais se serve, menos se vale.
Há
também quem esconda as suas verdadeiras intenções: mostram o pão, mas
escondem a pedra. E se, por alguma razão, lhes é dada a oportunidade de
terem algum poder — mesmo que seja pouco ou por pouco tempo — rapidamente o
carácter se revela, e o provérbio ganha credibilidade: Põe-lhe uma vara na
mão e conhecerás o vilão.
Outros
limitam‑se a seguir sem pensar, porque ovelhas bobas, para onde vai uma vão
todas. E há os que fogem quando o momento aperta, porque adeusinho é
sempre mais docinho. E os que só percebem a gravidade das coisas quando o
trabalho difícil chega e a porca finalmente torce o rabo.
Mas
não podemos esquecer os que, em desespero, fazem o que for preciso para manter
o lugar — não hesitam, pois tal como o diabo, quando se viu
desesperado, meteu‑se moleiro. Também os que explodem por tudo e por nada
aqui merecem uma palavra, porque ferver em pouca água é a forma mais
rápida de parecer forte.
No fim, tudo isto revela o que sempre soubemos: a condição humana é frágil e contraditória, capaz de gestos nobres e de fugas vergonhosas. Mochofino sabe que os provérbios sobrevivem porque mostram caminhos, desvios e possibilidades de escolha. E, com postura, com silêncio ou com um leve bater de asas, lembra‑nos que a escolha, mesmo pequena, é sempre nossa.
Universo original de Mochofino.
sexta-feira, julho 03, 2026
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Autor - José Pina
Universo original de Mochofino











