segunda-feira, julho 06, 2026

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Quem espera sempre alcança

    

Quem espera sempre alcança.

Mas há dias em que a atitude das pessoas parece provar o contrário: preferem lavar as mãos como Pilatos, fugir e evitar o que lhes toca. Em vez de enfrentarem os problemas e se responsabilizarem, agem como se nada tivesse a ver com elas e afastam‑se.

Pouco lhes importa o que pode acontecer aos outros; não poucas vezes apelam a um lado mais cristão e incitam os demais a fazer bem, sem olhar a quem, como se a bondade fosse um gesto automático, desligado da responsabilidade de olhar verdadeiramente o outro.

Por vezes cometem verdadeiras loucuras — mas todos sabemos que loucuras não remedeiam loucuras, e que a pressa de decidir raramente conduz aos melhores resultados, pois depressa e bem, não há quem. À mesa do café, ah… aí são todos sábios. Cada um com a sua verdade, porque cada cabeça sua sentença.

Defendem ideias apenas porque sim, ou porque gostam de servir, ainda que, muito frequentemente, quanto mais se serve, menos se vale.

Há também quem esconda as suas verdadeiras intenções: mostram o pão, mas escondem a pedra. E se, por alguma razão, lhes é dada a oportunidade de terem algum poder — mesmo que seja pouco ou por pouco tempo — rapidamente o carácter se revela, e o provérbio ganha credibilidade: Põe-lhe uma vara na mão e conhecerás o vilão.

Outros limitam‑se a seguir sem pensar, porque ovelhas bobas, para onde vai uma vão todas. E há os que fogem quando o momento aperta, porque adeusinho é sempre mais docinho. E os que só percebem a gravidade das coisas quando o trabalho difícil chega e a porca finalmente torce o rabo.

Mas não podemos esquecer os que, em desespero, fazem o que for preciso para manter o lugar — não hesitam, pois tal como o diabo, quando se viu desesperado, meteu‑se moleiro. Também os que explodem por tudo e por nada aqui merecem uma palavra, porque ferver em pouca água é a forma mais rápida de parecer forte.

No fim, tudo isto revela o que sempre soubemos: a condição humana é frágil e contraditória, capaz de gestos nobres e de fugas vergonhosas. Mochofino sabe que os provérbios sobrevivem porque mostram caminhos, desvios e possibilidades de escolha. E, com postura, com silêncio ou com um leve bater de asas, lembra‑nos que a escolha, mesmo pequena, é sempre nossa.

Universo original de Mochofino.


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Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino