domingo, outubro 26, 2025

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Ala, que se faz tarde!

 

Não foi por acaso que escolhemos esta expressão tão popular para esta altura do ano. De facto, esta madrugada mudou a hora e passamos a ter a hora de inverno. Os dias amanhecem mais cedo, mas à tarde temos sol de pouca dura!

De uso comum no nosso país e muito em particular em Trás-os-Montes, o provérbio que hoje apresentamos, para além de possuir uma raiz popular e literária, com séculos de uso, traduz a urgência de partir ou encerrar uma ação. 
A frase que sustenta o provérbio, é uma frase exclamativa usada para ordenar a alguém que se apresse a partir.
Em Criação, de Miguel Torga, podemos encontrar: «… Lopes mandou seguir. Estava visto o que mais interessava — ala! que se faz tarde.»
Mas, se Miguel Torga recolheu e divulgou esta e outras expressões como parte do património oral português, se recuarmos mais no tempo, podemos encontrar o mesmo sentido do provérbio no auto da Barca do Purgatório, de Gil Vicente, quando o diabo tenta levar as almas para o inferno e ordena: “Ala! ala! …” e recorre à interjeição para dar ordens, apressar e intimidar os condenados.
Ainda, como curiosidade, reforçando a certeza e a importância da transmissão oral, palavra a palavra, e também nas zonas de fronteira, fica o registo de: “¡Hala, que se hace tarde!”.
A estrutura é praticamente idêntica e transmite a mesma ideia: Vamos, que já é tarde.

Universo original de Mochofino

segunda-feira, outubro 20, 2025

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Deitar água na fervura.

   

Deitar água na fervura

À letra, esta expressão, poderia ser interpretada como adicionar água fria a água em ebulição de modo a baixar a temperatura.

No entanto, o seu uso está amplamente ligado às tentativas de conciliação entre partes ou diminuição de excesso de euforia e, como não podia deixar de ser, recorremos ao nosso especialista em provérbios,  Mochofino, em plena ação conciliadora — com expressão serena, entre dois personagens exaltados e com objetivo claro de “deitar água na fervura”. 

Para reforçar esta interpretação, citamos Machado de Assis, que emprega a expressão no conto O Relógio de Ouro (1873): “… contudo, a tristeza da filha sempre lhe punha água na fervura…” usando-a no sentido de arrefecer o ambiente que estava tenso.

E, também, José Gomes, treinador de futebol do Marítimo, que há uns anos e após uma vitória sobre uma equipa de maior valor afirmava: “… compete-me a mim colocar alguma água na fervura dos festejos...”

Ainda que não nos tenha sido possível encontrar uma fábula que inclua a frase “deitar água na fervura”, não quisemos perder a oportunidade de realçar a importância de alguém intervir, mas com sabedoria, para alcançar a harmonia e diminuir a desavença entre partes.

A fábula dos dois bodes parece servir este nosso propósito, mas temos para nós que Mochofino teria sido o ator certo.

Universo original de Mochofino

segunda-feira, outubro 13, 2025

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De Roma vem o que para Roma vai

 

Este é um daqueles provérbios que talvez mais se afasta do conceito que temos para os mesmos, uma vez que os provérbios são frequentemente usados como ditos, tendo em consideração a sua raiz popular.

Não é muito conhecido e a sua origem, uma vez mais, não é conhecida. Pouco importa, parece-nos pertinente e mereceu a nossa atenção porque nos foi ensinado por um amigo que, infelizmente, já não está entre nós!

A interpretação que para o mesmo nos foi dada traduz-se na orientação, imposição ou oposição, que surge depois de questionarmos uma entidade que gosta de exercer o poder hierárquico e que, dessa forma, condiciona a nossa vontade de fazer algo diferente.

As ideias e a vontade de as concretizar devem ser acolhidas e interpretadas como verdadeiras manifestações de liberdade e, muitas vezes, quem determina, manda calar, manda parar, porque tudo quer controlar.

A necessidade permanente de perguntar quando se pode fazer, avançar, acabará por nos conduzir à inação. É um mau hábito estar sempre à espera da resposta que muitas vezes tardará e outras vezes, se surgir, vem para condicionar a vontade de realizar ou o modo de o fazer.

Talvez não haja necessidade de se optar entre o caminho que não existe previamente e é construído pelo ato de andar [António Machado] e o caminho da invenção, rutura, gesto criador contra a norma [Almada Negreiros]se se aceitar a ideia de fazer sem estar sempre à espera de autorização. 


Universo original de Mochofino
 

quinta-feira, outubro 02, 2025

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A união faz a força

 

A união faz a força
A interpretação deste provérbio expressa a ideia de que, quando pessoas se juntam com um propósito comum, conseguem superar obstáculos que dificilmente seriam transponíveis individualmente.
Uma simples pesquisa revelou que países como a Bulgária ou a Bélgica utilizam como lema “A união faz a força” destacando a importância da unidade para superar desafios e alcançar objetivos comuns. 

Também é frequente encontrar a ideia de que a sua origem esteja numa fábula atribuída a Esopo, “o velho e o feixe de varas “, onde um pai mostra aos seus filhos que um feixe é inquebrável, enquanto uma vara sozinha se quebra facilmente.
O provérbio “a união faz a força” é daqueles que atravessam culturas, épocas e contextos, continuando atual. No fundo, estamos perante uma celebração da colaboração, da solidariedade, da interdependência.
Com o apoio dos nossos “especialistas” na interpretação de provérbios, ousamos dizer que a construção tem mais valor, mais força do que uma simples união ou reunião.
O sermos capazes de fazer acontecer, de construir em conjunto será uma mais-valia pois tenderá a perdurar.

Universo original de Mochofino

Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino