Não foi por acaso que escolhemos esta expressão tão popular para esta altura do ano. De facto, esta madrugada mudou a hora e passamos a ter a hora de inverno. Os dias amanhecem mais cedo, mas à tarde temos sol de pouca dura!
De uso comum no nosso país e muito em particular em Trás-os-Montes, o provérbio que hoje apresentamos, para além de possuir uma raiz popular e literária, com séculos de uso, traduz a urgência de partir ou encerrar uma ação.
A frase que sustenta o provérbio, é uma frase exclamativa usada para ordenar a alguém que se apresse a partir.
Em Criação, de Miguel Torga, podemos encontrar: «… Lopes mandou seguir. Estava visto o que mais interessava — ala! que se faz tarde.»
Mas, se Miguel Torga recolheu e divulgou esta e outras expressões como parte do património oral português, se recuarmos mais no tempo, podemos encontrar o mesmo sentido do provérbio no auto da Barca do Purgatório, de Gil Vicente, quando o diabo tenta levar as almas para o inferno e ordena: “Ala! ala! …” e recorre à interjeição para dar ordens, apressar e intimidar os condenados.
Ainda, como curiosidade, reforçando a certeza e a importância da transmissão oral, palavra a palavra, e também nas zonas de fronteira, fica o registo de: “¡Hala, que se hace tarde!”.
Ainda, como curiosidade, reforçando a certeza e a importância da transmissão oral, palavra a palavra, e também nas zonas de fronteira, fica o registo de: “¡Hala, que se hace tarde!”.
A estrutura é praticamente idêntica e transmite a mesma ideia: Vamos, que já é tarde.
Universo original de Mochofino
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