Deitar água na fervura
À letra, esta expressão, poderia ser interpretada como adicionar água fria a água em ebulição de modo a baixar a temperatura.
No entanto, o seu uso está amplamente ligado às tentativas de conciliação entre partes ou diminuição de excesso de euforia e, como não podia deixar de ser, recorremos ao nosso especialista em provérbios, Mochofino, em plena ação conciliadora — com expressão serena, entre dois personagens exaltados e com objetivo claro de “deitar água na fervura”.
Para reforçar esta interpretação, citamos Machado de Assis, que emprega a expressão no conto O Relógio de Ouro (1873): “… contudo, a tristeza da filha sempre lhe punha água na fervura…” usando-a no sentido de arrefecer o ambiente que estava tenso.
E, também, José Gomes, treinador de futebol do Marítimo, que há uns anos e após uma vitória sobre uma equipa de maior valor afirmava: “… compete-me a mim colocar alguma água na fervura dos festejos...”
A fábula dos dois bodes parece servir este nosso propósito, mas temos para nós que Mochofino teria sido o ator certo.
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