De vez em quando, há tardes em que o céu se cobre de nuvens como quem faz uma birra e uma ou outra trovoada aparece sem avisar. São, ainda, de esperar noites frescas.
Junho vive dividido — quer ser verão, mas ainda sonha primavera. É um mês que ainda está a aprender a ser verão, que só chegará na última semana.
Talvez por isso junho nos lembre a juventude.
A rebeldia juvenil é ensaio: limites testados, erros que ainda não pesam. O corpo e a mente descobrem até onde podem ir. Tal como junho, estão a crescer.
O que inquieta não é um jovem ferver em pouca água; o preocupante é um adulto continuar em ebulição como se tivesse quinze anos. A idade adulta traz consigo a expectativa de mais contenção, mais memória.
Para educar uma criança é preciso toda uma aldeia — um clima estável, um calor que aqueça sem queimar. Todo o tempo do mundo, todo o conhecimento acumulado, toda a paciência que só a vida ensina.
Quem chega à idade adulta sem ter aprendido a controlar o seu “calor interno” é alguém que não ouviu a aldeia, ou não a teve, ou não quis aprender com ela.
No sentido vulgar, ferver em pouca água é perder a calma por quase nada. Na cozinha, é arte de conter o excesso; na vida, é sinal de quem ainda não aprendeu a esperar.
Como diria Mochofino, a juventude ferve depressa porque está a aprender a controlar o lume.
Junho também, no seu lume ainda incerto.
O verão chega quando o lume estabiliza.
Universo original de Mochofino.



