O verão aproxima-se, e o calor intenso desta Cova da Beira começa a lembrar-nos, de forma brusca, que o tempo quente está a chegar.
Há dias em que o sol não aquece: queima. E o corpo, sensato, começa a abrandar - não por preguiça, mas por instinto.
Resolvemos procurar um provérbio que fosse capaz de traduzir um sentimento de rendição à força do calor. Ao calor que dobra a nossa vontade. Encontrámos este: “Junho, dorme se sobre o punho.”
Não procurámos mais. A imagem formou-se de imediato: alguém sentado, dobrado sobre si, a cabeça pousada no braço, a pedir ao mundo cinco minutos de tréguas. Não para pensar, para não cair.
A imagem era tão nítida que fomos procurar um quadro que a confirmasse. Encontrámos Le Réveil du Faucheur, de Léon Augustin Lhermitte: um ceifeiro exausto, apanhado no instante em que o corpo decide por ele.
Não podemos mostrar o original; Mochofino fez a sua versão e, claro, entrou no quadro — a versão com o calor da Cova da Beira, porque quem aqui vive sabe o que é dobrar‑se à força do calor.
E assim voltamos ao princípio: o verão chegará sem pedir licença e o corpo abranda. Temperaturas altas não pedem feitos; pedem sombra, pedem pausa. Não por preguiça, mas por economia de forças.
O provérbio não engana: em junho, quando o calor manda, o corpo obedece. Sesta não é luxo — é estratégia.
Obs.: Vale a pena ver o quadro original. E vale o caminho — Mochofino aprecia leitores que se mexem.
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