sábado, novembro 29, 2025

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Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele

  

Mais um provérbio e este, à semelhança de tantos outros, alerta para o perigo de se assumirem determinados comportamentos.
Popularmente o lobo é identificado com o perigo, a predação, a figura furtiva que ataca pela calada da noite. Em contos como o Capuchinho Vermelho, o lobo é o vilão astuto, disfarçado.
Vestir a pele do lobo é assumir a aparência, o papel ou os modos do lobo. O aviso que o provérbio carrega é claro, exige coerência entre o que se diz e o que se faz. Quem não quer ser cúmplice, não deve assumir o papel.
Deste modo parece sensato que, quem não quer ser lobo deve evitar qualquer sinal ou atitude que o faça parecer como tal.
O caso recente, que está a chocar a sociedade fundanense em particular, e que surge depois de a Polícia Judiciária ter comunicado que deteve 11 bombeiros do Fundão por suspeitas de crimes de violação e de coação sexual de que foi vítima um jovem bombeiro, numa duvidosa praxe, pode materializar-se no seguinte manifesto: “Quem pratica abusos não pode fingir que não é lobo.”
Mais, o lobo neste caso é, também, o sistema que tolera, que tende a encobrir e que incentiva sob a capa da praxe. O lobo é o veterano que humilha e o sistema que perpetua abusos. O caloiro é forçado a vestir uma pele que não escolheu, concordando ou não.
O provérbio lembra que vestir a pele do lobo é sempre uma escolha consciente. Quem pratica abusos, quem perpetua tradições violentas, quem se esconde atrás de desculpas, assume o papel de predador. Quem humilha, quem oprime, quem agride, escolhe ser lobo. Não é rito, é predação.
O caso, é ainda mais chocante porque relacionado com uma Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários. Naturalmente, importa dizer de forma bem clara que não se pode confundir a árvore com a floresta, mas o impacto de uma praga, ao atingir uma árvore, pode ser devastador.
Para combater pragas, é necessário combinar prevenção, monitorização e boas práticas de gestão sob pena de se poder atingir um ponto de não-retorno.

Universo original de Mochofino

 

domingo, novembro 23, 2025

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Casa onde entra o sol, não entra o médico.

   

Este provérbio lembra-nos que o sol é vida, saúde e equilíbrio.

No mundo rural, sempre se teve a preocupação de abrir janelas e aproveitar a luz solar. No fundo podemos interpretar essa prática como viver em harmonia com a natureza. O sol simboliza higiene, vitalidade e bem-estar. 

Pensava-se, e com razão, que deixar o sol entrar era tão importante como qualquer remédio. Uma casa iluminada e arejada é menos propensa a doenças. No fundo equivale a assumir a importância da saúde preventiva e este exercício diário faz todo o sentido estejamos, ou não, no mundo rural.

Esse ditado também acaba por alertar para a importância de considerar a orientação solar dos edifícios habitacionais, uma vez que existe uma relação direta com o conforto térmico, o consumo energético e a durabilidade dos materiais.

Aproveitando o provérbio centramos a nossa atenção, ainda que de forma breve, sobre o aproveitamento que se faz da radiação solar enquanto passível de ser convertida em energia elétrica.

A luz solar é uma radiação eletromagnética e a ela está associada energia. Todos os dias, o sol emite uma enorme quantidade de radiação e uma parte dela chega à Terra e permite a existência de múltiplas formas de vida.

Considerada uma fonte renovável, faz dela um alvo apetecível no contexto da produção de energia elétrica e tem-se assistido à construção de centrais fotovoltaicas que produzem energia limpa, isto é, energia a que não associamos emissão de gases poluentes ou com efeito de estufa durante a geração e, assim, contribui para a redução das alterações climáticas.

Tudo parece estar bem, mas Mochofino de forma muito simples proclama: “O sol deve curar, não deve ferir”. Esta frase é um enorme alerta para os riscos que se correm quando o excesso ou a exploração desmedida é a regra. Instalar mega centrais solares, sem respeito pela biodiversidade ou pondo-a em causa, não podem ser tolerados em nome do progresso. O progresso é importante, é um facto, mas sempre respeitando o ambiente.

Quando se projetam grandes centrais solares, por vezes com efeito cumulativo, pois juntam-se a outras já existentes no mesmo território, é importante reconhecer que a sabedoria popular, feita de experiência e em comunhão com os ritmos da natureza, tem imenso valor e que não pode, pura e simplesmente ser ignorada. Em caso algum deve ser apagada ou desconsiderada.

Muitas vezes afirma-se, em defesa da construção de centrais solares, que se vai minimizar impactos, nomeadamente impactos nos ecossistemas.

Pois é, só por si minimizar já traz consigo o mal que irá causar, assim, é determinante que se mantenha aberto um diálogo constante entre o passado e o presente e nunca o silenciar, ou secundarizar, para garantir o futuro.

Universo original de Mochofino

domingo, novembro 16, 2025

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Novembro à porta, geada na horta

Este provérbio alerta para a chegada do frio e das primeiras geadas.

Com o outono já avançado, pareceu-nos ter alguma pertinência apresentar este provérbio com ligação ao clima.  Esta ideia ganha ainda mais força sabendo que está a decorrer a “Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas”, na cidade brasileira de Belém, no Brasil. 

Mochofino, o nosso especialista a interpretar provérbios, está a sentir a temperatura baixa que se faz sentir e não hesitou em permanecer mais imóvel, contrair o corpo e eriçar as penas, para se proteger, pois, tudo à sua volta está gelado. As folhas da sua árvore favorita acrescentam alguma proteção.

As aves recorrem a mecanismos e posturas naturais para conseguirem conservar o calor corporal. De forma simples e engenhosa criam uma camada de ar entre as penas, eriçando-as, que funciona como uma barreira de isolamento térmico.

Mochofino, de forma elegante, dá-nos um sinal simples e aponta um caminho quanto ao modo de atuar no ambiente e sem exigir mais do que já possui.

Gestos simples, mas eficazes, que traduzimos na seguinte metáfora: 

Eriçar as penas - Isolar casas e edifícios para reduzir consumos energéticos. 

Contrair o corpo - Reduzir o desperdício e adotar hábitos de consumo conscientes.

Permanecer imóvel - Optar por transportes sustentáveis.

Usar o ambiente (ramo, folhas) - Aproveitar soluções naturais e reflorestar.

Universo original de Mochofino


sexta-feira, novembro 07, 2025

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Os olhos são o espelho da alma

   

Olhando para os olhos, supostamente, é possível reconhecer alegria ou tristeza, serenidade ou medo, ansiedade… é assim que tende a ser interpretado este dito popular. É comum ouvirmos dizer: “Não precisas de dizer nada, basta olhar para ti.”
Há quem acredite que mesmo que se tente esconder o que se sente, os olhos acabam por trair essa intenção, a revelação acontece. Filósofos/escritores como Plutarco escreveram sobre o poder destrutivo do olhar, sugerindo que os olhos emitiam uma espécie de energia capaz de afetar os outros. Atribuíam-se, assim, ao olhar humano poderes sobrenaturais.

A crença de que o olhar era entendido como um canal de energia espiritual, estava na base de uma prática: a catoptromancia, onde o reflexo do rosto e do olhar revelava muito mais do que a aparência. Surgiu na Grécia Antiga e era usada para prever o futuro, para mostrar destinos ocultos e mundos paralelos. 
Afinal, o espelho, que no uso comum, queremos que nos devolva a aparência, teve uma importância maior, pois para além de devolver uma imagem física, ainda que virtual no caso dos espelhos planos, também permitia revelar um estado de espírito!
E se dúvidas ainda houvesse acerca da importância do olhar, o que dizer do Olho de Hórus, símbolo de proteção, cura, poder real e visão espiritual, no antigo Egito. 
Mas a importância do olhar chega ao ponto de, em plena idade média, se acreditar que pessoas com olhos estrábicos podiam lançar maldições involuntárias.


Universo original de Mochofino

 

domingo, novembro 02, 2025

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Quanto mais alto se sobe, maior é a queda.

   

Este é mais um daqueles provérbios que ouvimos de forma recorrente.
A interpretação quanto ao seu significado é muito consensual, ainda que o possamos associar a múltiplas situações.
Não fosse um ditado popular e podia interpretar a afirmação na ótica da Física: Um corpo ao subir ganha energia potencial gravítica e, em queda livre, toda essa energia acumulada vai sendo transformada em energia cinética e o resultado poderia ser catastrófico ao chegar ao chão!
Não sendo este o caso, a sua interpretação passa sempre por se lhe associar uma advertência poderosa pois alerta para os riscos da ambição desmedida, da vaidade descontrolada, da arrogância. 
No fundo, traduz a ideia de que quanto maior for o sucesso ou a posição social, mais dolorosa poderá ser a queda se algo correr mal.
Como sempre, quando apresento um novo provérbio obrigo-me a pesquisar a sua origem ou a sua existência noutras latitudes, noutros contextos. E, algumas vezes, procuro encontrar uma fábula que lhe possa associar.
Foi o caso. “A mosca em cima do carroça”, de Esopo, traduz de forma sublime o sentir do provérbio.
Em resumo: uma mosca pousou numa carroça, carregada, puxada por uma mula. Achou-se tão importante por ir no alto, que começou a falar com arrogância contra a mula, dizendo que andasse mais depressa, se não que a castigaria picando-a onde lhe doesse. A mula retorquiu dizendo-lhe que para além do incómodo que é ouvi-la, nenhum mal maior lhe poderia fazer.
Torna-se evidente que a mosca, no alto da sua altivez, sente-se como protagonista de algo que não controla. A queda, neste caso, é moral pois a sua influência é praticamente nula. Estamos, pois, perante uma crítica à arrogância.

 Universo original de Mochofino

Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino