No mundo rural, sempre se teve a preocupação de abrir janelas e aproveitar a luz solar. No fundo podemos interpretar essa prática como viver em harmonia com a natureza. O sol simboliza higiene, vitalidade e bem-estar.
Pensava-se, e com razão, que deixar o sol entrar era tão importante como qualquer remédio. Uma casa iluminada e arejada é menos propensa a doenças. No fundo equivale a assumir a importância da saúde preventiva e este exercício diário faz todo o sentido estejamos, ou não, no mundo rural.
Esse ditado também acaba por alertar para a importância de considerar a orientação solar dos edifícios habitacionais, uma vez que existe uma relação direta com o conforto térmico, o consumo energético e a durabilidade dos materiais.
Aproveitando o provérbio centramos a nossa atenção, ainda que de forma breve, sobre o aproveitamento que se faz da radiação solar enquanto passível de ser convertida em energia elétrica.
A luz solar é uma radiação eletromagnética e a ela está associada energia. Todos os dias, o sol emite uma enorme quantidade de radiação e uma parte dela chega à Terra e permite a existência de múltiplas formas de vida.
Considerada uma fonte renovável, faz dela um alvo apetecível no contexto da produção de energia elétrica e tem-se assistido à construção de centrais fotovoltaicas que produzem energia limpa, isto é, energia a que não associamos emissão de gases poluentes ou com efeito de estufa durante a geração e, assim, contribui para a redução das alterações climáticas.
Tudo parece estar bem, mas Mochofino de forma muito simples proclama: “O sol deve curar, não deve ferir”. Esta frase é um enorme alerta para os riscos que se correm quando o excesso ou a exploração desmedida é a regra. Instalar mega centrais solares, sem respeito pela biodiversidade ou pondo-a em causa, não podem ser tolerados em nome do progresso. O progresso é importante, é um facto, mas sempre respeitando o ambiente.
Quando se projetam grandes centrais solares, por vezes com efeito cumulativo, pois juntam-se a outras já existentes no mesmo território, é importante reconhecer que a sabedoria popular, feita de experiência e em comunhão com os ritmos da natureza, tem imenso valor e que não pode, pura e simplesmente ser ignorada. Em caso algum deve ser apagada ou desconsiderada.
Muitas vezes afirma-se, em defesa da construção de centrais solares, que se vai minimizar impactos, nomeadamente impactos nos ecossistemas.
Pois é, só por si minimizar já traz consigo o mal que irá causar, assim, é determinante que se mantenha aberto um diálogo constante entre o passado e o presente e nunca o silenciar, ou secundarizar, para garantir o futuro.
Com o outono já avançado, pareceu-nos ter alguma pertinência apresentar este provérbio com ligação ao clima. Esta ideia ganha ainda mais força sabendo que está a decorrer a “Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas”, na cidade brasileira de Belém, no Brasil.
Mochofino, o nosso especialista a interpretar provérbios, está a sentir a temperatura baixa que se faz sentir e não hesitou em permanecer mais imóvel, contrair o corpo e eriçar as penas, para se proteger, pois, tudo à sua volta está gelado. As folhas da sua árvore favorita acrescentam alguma proteção.
As aves recorrem a mecanismos e posturas naturais para conseguirem conservar o calor corporal. De forma simples e engenhosa criam uma camada de ar entre as penas, eriçando-as, que funciona como uma barreira de isolamento térmico.
Mochofino, de forma elegante, dá-nos um sinal simples e aponta um caminho quanto ao modo de atuar no ambiente e sem exigir mais do que já possui.
Gestos simples, mas eficazes, que traduzimos na seguinte metáfora:
Eriçar as penas - Isolar casas e edifícios para reduzir consumos energéticos.
Contrair o corpo - Reduzir o desperdício e adotar hábitos de consumo conscientes.
Permanecer imóvel - Optar por transportes sustentáveis.
Usar o ambiente (ramo, folhas) - Aproveitar soluções naturais e reflorestar.
Universo original de Mochofino
Universo original de Mochofino