domingo, novembro 23, 2025

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Casa onde entra o sol, não entra o médico.

   

Este provérbio lembra-nos que o sol é vida, saúde e equilíbrio.

No mundo rural, sempre se teve a preocupação de abrir janelas e aproveitar a luz solar. No fundo podemos interpretar essa prática como viver em harmonia com a natureza. O sol simboliza higiene, vitalidade e bem-estar. 

Pensava-se, e com razão, que deixar o sol entrar era tão importante como qualquer remédio. Uma casa iluminada e arejada é menos propensa a doenças. No fundo equivale a assumir a importância da saúde preventiva e este exercício diário faz todo o sentido estejamos, ou não, no mundo rural.

Esse ditado também acaba por alertar para a importância de considerar a orientação solar dos edifícios habitacionais, uma vez que existe uma relação direta com o conforto térmico, o consumo energético e a durabilidade dos materiais.

Aproveitando o provérbio centramos a nossa atenção, ainda que de forma breve, sobre o aproveitamento que se faz da radiação solar enquanto passível de ser convertida em energia elétrica.

A luz solar é uma radiação eletromagnética e a ela está associada energia. Todos os dias, o sol emite uma enorme quantidade de radiação e uma parte dela chega à Terra e permite a existência de múltiplas formas de vida.

Considerada uma fonte renovável, faz dela um alvo apetecível no contexto da produção de energia elétrica e tem-se assistido à construção de centrais fotovoltaicas que produzem energia limpa, isto é, energia a que não associamos emissão de gases poluentes ou com efeito de estufa durante a geração e, assim, contribui para a redução das alterações climáticas.

Tudo parece estar bem, mas Mochofino de forma muito simples proclama: “O sol deve curar, não deve ferir”. Esta frase é um enorme alerta para os riscos que se correm quando o excesso ou a exploração desmedida é a regra. Instalar mega centrais solares, sem respeito pela biodiversidade ou pondo-a em causa, não podem ser tolerados em nome do progresso. O progresso é importante, é um facto, mas sempre respeitando o ambiente.

Quando se projetam grandes centrais solares, por vezes com efeito cumulativo, pois juntam-se a outras já existentes no mesmo território, é importante reconhecer que a sabedoria popular, feita de experiência e em comunhão com os ritmos da natureza, tem imenso valor e que não pode, pura e simplesmente ser ignorada. Em caso algum deve ser apagada ou desconsiderada.

Muitas vezes afirma-se, em defesa da construção de centrais solares, que se vai minimizar impactos, nomeadamente impactos nos ecossistemas.

Pois é, só por si minimizar já traz consigo o mal que irá causar, assim, é determinante que se mantenha aberto um diálogo constante entre o passado e o presente e nunca o silenciar, ou secundarizar, para garantir o futuro.

Universo original de Mochofino

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Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino