Este é mais um daqueles provérbios que ouvimos de forma recorrente.
A interpretação quanto ao seu significado é muito consensual, ainda que o possamos associar a múltiplas situações.
Não fosse um ditado popular e podia interpretar a afirmação na ótica da Física: Um corpo ao subir ganha energia potencial gravítica e, em queda livre, toda essa energia acumulada vai sendo transformada em energia cinética e o resultado poderia ser catastrófico ao chegar ao chão!
Não sendo este o caso, a sua interpretação passa sempre por se lhe associar uma advertência poderosa pois alerta para os riscos da ambição desmedida, da vaidade descontrolada, da arrogância.
No fundo, traduz a ideia de que quanto maior for o sucesso ou a posição social, mais dolorosa poderá ser a queda se algo correr mal.
Como sempre, quando apresento um novo provérbio obrigo-me a pesquisar a sua origem ou a sua existência noutras latitudes, noutros contextos. E, algumas vezes, procuro encontrar uma fábula que lhe possa associar.
Foi o caso. “A mosca em cima do carroça”, de Esopo, traduz de forma sublime o sentir do provérbio.
Em resumo: uma mosca pousou numa carroça, carregada, puxada por uma mula. Achou-se tão importante por ir no alto, que começou a falar com arrogância contra a mula, dizendo que andasse mais depressa, se não que a castigaria picando-a onde lhe doesse. A mula retorquiu dizendo-lhe que para além do incómodo que é ouvi-la, nenhum mal maior lhe poderia fazer.
Torna-se evidente que a mosca, no alto da sua altivez, sente-se como protagonista de algo que não controla. A queda, neste caso, é moral pois a sua influência é praticamente nula. Estamos, pois, perante uma crítica à arrogância.
Universo original de Mochofino
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