quinta-feira, agosto 21, 2025

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O Diabo viu-se desesperado, meteu-se moleiro

   


 “O diabo viu-se desesperado, meteu-se moleiro”

Este provérbio — “O diabo viu-se desesperado, meteu-se moleiro” — há semelhança de tantos outros não tem uma origem bem definida. Passam de boca-em-boca e por vezes ficam muito ligados a um determinado lugar ou região.

Uma coisa é certa, a figura do moleiro surge em inúmeras histórias e tinha fama de astuto.


Quanto ao Diabo, é impossível não associarmos esta personagem à tentação, mas também ao disfarce e à esperteza.

Se o diabo está em apuros é porque a coisa está feia e para se excluir da responsabilidade há que disfarçar e a ter de adotar uma forma humana para passar despercebido que seja a de um moleiro, adotar uma profissão associada à astúcia.

O momento que vivenciamos, com fogos constantes, conduziu à interpretação por Mochofino e Papagaio Tagarela.

Universo original de Mochofino

quinta-feira, agosto 14, 2025

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Ficar a ver navios

 


Ficar a ver navios

Este ditado popular remete para a sensação de desapontamento ou de desilusão de quem espera algo que nunca concretiza.

Tudo acontece à sua frente, mas fica a sensação de que apenas lhe resta observar.

No fundo, traduz o sentimento de estar à margem dos acontecimentos ou de ver as ocasiões escaparem por entre os dedos.

Mas “Ficar a ver navios” pode ter surgido como a esperança não realizada dos armadores que viam o mar, mas não os navios que deviam trazer riqueza da Índia e surge deste modo um sentimento de perda.

No entanto, este mesmo sentimento pode associar-se à vã espera de ver chegar o rei D. Sebastião, após a derrota na batalha de Alcácer Quibir.

Há, ainda, quem associe esta expressão ao tempo em que os franceses chegaram a Lisboa, na 1ª invasão francesa, e constataram a família real e toda a corte tinha saído para o Rio de Janeiro.

Universo original de Mochofino

domingo, agosto 10, 2025

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O silêncio é ouro! (contém fábula)

 

O silêncio é ouro!

Normalmente associa-se este provérbio, ou dito, à ideia de que nem tudo precisa de ser dito. Isto é, deve ver-se a importância do silêncio como forma de proteção.

O silêncio pode evitar conflitos, preservar relações, proteger…

O silêncio pode ser interpretado como a capacidade, e a importância, de guardar um segredo valioso. Mas também pode ser percebido como uma competência de saber escutar.

Falar parece ser mais fácil do que escutar, pois saber ouvir exige atenção. No fundo o silêncio é o campo onde se desenvolve a introspeção e que melhora o autoconhecimento.

Mochofino, na sua postura meditativa, ensina que há força no silêncio e que muitas vezes, a melhor decisão não é responder de imediato, mas sim meditar, refletir primeiro.

Esta postura pode ser associada a outros ditados populares e desde logo ao:

Mais vale calar do que mal falar.

 

"O papagaio tagarela" [uma fábula]

No alto da sua árvore preferida Mochofino aproveitava o valor do silêncio.

Mas o silêncio foi interrompido, pois o mundo não para e por vezes… fala demais.

Num ramo mais próximo do solo um papagaio, com penas muito vistosas de cor verde, convencido do seu enorme saber, fala sem parar para um grupo de aves e outros animais que tão depressa manifestavam concordância como discordância. Alguns abanavam e ou coçavam a cabeça tal a confusão de ideias.

O auge da indignação foi atingido quando o papagaio inchando o peito proferiu: - “Eu tenho a certeza de que a Lua só é visível há noite porque o Sol se foi movimentando e se escondeu atrás das montanhas!”

Um coelho saltou de indignação, uma raposa revirou os olhos, as aves bateram vigorosamente as asas e voaram e até um caracol quis abandonar o local rapidamente!

Mochofino fechou os olhos e suspirou.

Sentindo-se incompreendido o papagaio olhou para cima e pergunta: “E tu, ó mocho, qual a tua opinião?

Mochofino respondeu num tom bem calmo e com alguma ironia: “Eu gosto de silêncio.” O papagaio fechou o bico. A calma regressou e o silêncio também.

Universo original de Mochofino

sexta-feira, agosto 08, 2025

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Dá Deus nozes a quem não tem dentes.

 


Dá Deus nozes a quem não tem dentes

Expressão acompanhada de alguma ironia e que remete para uma reflexão sobre as voltas que a vida dá. No fundo pode exprimir a ideia de que por vezes há quem receba coisas valiosas, mas que não sabe como aproveitá-las.

Existe aqui uma certa dose de inveja que Mochofino tenta transmitir.

Não deixa de ser uma crítica à circunstância de certas oportunidades estarem disponíveis para quem não as pode aproveitar, enquanto outros que as saberiam usar ficam a ver navios.

José Pina

Universo original de Mochofino

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Faz bem não olhes a quem (na forma de fábula)

 


"Faz bem, não olhes a quem"

Este conhecido provérbio encerra uma mensagem poderosa sobre a generosidade, a ajuda. Praticar o bem, ajudar ou ser gentil para com todos e independentemente do destinatário e não esperar reconhecimento ou recompensa.



A capa da bondade

A lenda de S. Martinho na forma de fábula.


 Mochofino, o mocho mais sábio da floresta, regressava ao seu ninho, bem no alto de um soberbo carvalho e enrolado na sua capa de penas avermelhadas e que somente ele sabia usar. A capa em tons de vermelho era um presente que recebera durante o verão. Era um presente muito especial do astro-rei, o Sol.

As folhas das árvores movimentavam-se ao sabor do vento. A tarde estava fria e uma chuva miudinha e persistente ajudava a recordar que o inverno se aproximava.

Acabado de pousar num galho bem forte, ouviu um gemido. Lá em baixo, junto ao tronco, estava um pequeno pássaro, tremendo de frio, pois as suas penas estavam completamente encharcadas. Era novo o passarinho e faltava-lhe a proteção dos pais.

Sem pensar duas vezes, Mochofino abriu as asas e voou até junto da pequena ave. Sem hesitar cortou uma parte da sua deslumbrante capa e envolve a avezinha com ela. A capa aqueceu-a rapidamente como se de um raio de sol se tratasse.

Nesse momento as nuvens afastaram-se, deixou de chover, o vento parou e o Sol brilhou. A tarde ficou quente, parecia verão.

O pequeno pássaro olhou para Mochofino e perguntou-lhe:

— “Por que fizeste isso por mim? Nem me conheces…”

Mochofino respondeu com um sorriso sábio:

— “Faz bem, não olhes a quem.”  Olhou uma última vez para o passarinho e regressou ao seu ninho.

Desde então, todos os anos, os animais da floresta celebram este dia com castanhas assadas e chamam-lhe verão de São Martinho.

José Pina

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O que é achado não é roubado (na forma de fábula)

 


“O que é achado não é roubado”

O provérbio sugere que encontrar algo perdido não equivale a roubar, pois não houve intenção de subtrair diretamente de alguém.

O Voo da consciência

"Um brilho no campo"

No campo dourado Mochofino, um mocho sábio de olhos grandes e olhar atento, com penas acastanhadas e padrão discreto, sobrevoa o campo e encontra algo cintilante. Uma pulseira aquecida pelo sol.

"O que é achado, não é roubado."

Mochofino tinha encontrado uma pulseira e depois de um pequeno voo descansa no ramo de árvore. Bem quieto vê dois homens que se aproximam e acaba por escutar a conversa entre eles: “Achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado!” diz um dos homens, sorrindo.

Mochofino reflete sobre o que lhe aconteceu e sobre o que ouviu. Inclinou a cabeça e concluiu: O que o homem disse tinha alguma lógica, mas… seria justo?

"O conselho da noite"

O tempo, normalmente é bom conselheiro, e o sossego da noite permitiu ao nosso herói concluir que: “Não roubar não é o mesmo que agir com justiça”.

"A devolução"

Ao longe, mas não suficientemente distante para que escapasse à sua visão excecional, Mochofino viu uma criança à janela da sua casa e o seu olhar não deixava margem para dúvidas, era triste. Rapidamente percebeu o que tinha acontecido e tomou uma decisão.

O dia clareou e voou em direção à casa. A janela abriu-se e colocou no parapeito a pulseira que tinha encontrado. Um sorriso iluminou o rosto da menina.

"O voo da sabedoria"

Mochofino afasta-se satisfeito porque sabe que: “A verdadeira sabedoria voa com asas de justiça. Porque quem devolve o que encontra… nunca se perde.”

José Pina

Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino