Este provérbio levou-me a recuperar uma figura que já incluí nos primeiros posts de Mochofino: o "Papagaio Tagarela" - pois, muitas vezes, quem fala demais tenta compensar a falta de argumentos sólidos com o excesso de som e de gestos.
Habituado a ser surpreendido pela cultura e pela sabedoria popular, tentei perceber a sua origem e o porquê de uma ligação entre o ato de falar e os membros superiores, em particular os cotovelos.
Pelo que apurei, parece fazer sentido a presença dos cotovelos, pois “falar pelos cotovelos” diz‑se de uma pessoa muito faladora, acompanhando o discurso com gestos exuberantes dos braços.
A expressão popular ganha lógica, já que os cotovelos são parte determinante do gesto.
No entanto, promover os cotovelos a instrumento de fala só por ironia: os cotovelos não falam, nem são parte do corpo associada à produção de som.
Sarcasticamente seria interessante que o corpo tivesse um mecanismo de alerta que, à semelhança do que acontecia no Planeta dos Homens, naquela aula de história clássica protagonizada por Agildo Ribeiro, onde havia uma “múmia paralítica” que fazia soar uma campainha sempre que a aula evoluía para devaneios — e, em particular, quando se lembrava de Bruna Lombardi — atuasse quando os gestos se tornam descabidos.
Sim, porque um sinal de alerta não seria descabido: por vezes os gestos tornam‑se tão exagerados que ultrapassam a fronteira da privacidade de uma conversa, transformando‑se num espetáculo público.
Universo original de Mochofino.- Ano II
Subscribe by Email
Follow Updates Articles from This Blog via Email

No Comments
O comentário está acessível