O alecrim e a manjerona eram frequentemente associados ao amor, ao namoro e aos festejos populares. Não é de estranhar, pois, que o alecrim estivesse presente nos cantares populares com origens tradicionais portuguesas e muitos reconhecerão os versos:
Alecrim, alecrim aos molhos
por causa de ti
choram os meus olhos
ai meu amor…
Menos conhecidos serão, talvez, os versos:
O rouxinol quando canta
Bota o pé no alecrim;
Os olhos à manjerona,
Dá combate ao jardim…
que encontramos no “Cancioneiro Popular”, coligido por Teóphilo Braga, onde as flores, algumas vezes, surgem como metáforas de raparigas.
Das cantigas populares para a observação da natureza vai um pequeno passo. Nesta época do ano, uma visita ao parque verde da cidade proporciona um contacto direto com esta planta e convida-nos a apreciá-la. Foi o que fiz e, mais tarde, tentei reproduzir em aguarela um pequeno ramo.
Para além da sua presença na cultura popular, o alecrim é valorizado há séculos pelas suas múltiplas utilizações que vão muito além das associações amorosas. Culinárias, medicinais, cosméticas… são apenas exemplos do seu uso desde a antiguidade.
Remédios caseiros eram vulgares e o óleo de alecrim é um exemplo dessa utilização, sendo apreciado pelas suas propriedades antioxidantes e aromáticas. Muitos recordarão a famosa garrafa de álcool de alecrim, a que os seus avós recorriam para massajar aquela dor incómoda nas pernas ou nos pés ou aquela nódoa negra que aparecia depois de uma pancada ou queda.
Mochofino diria que o alecrim é uma planta que merece estar em todas as casas, que mais não seja, pelo seu agradável aroma!
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