segunda-feira, setembro 07, 2026

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Podia apresentar algumas curiosidades sobre a escala Fahrenheit, mas …

   

Agora, que um novo ano escolar está a chegar, deixo como sugestão a leitura de um artigo publicado a 30 de julho pelo Jornal Expresso, com o título - Menos leitores, mais livros vendidos. Como se explica o paradoxo português?
O artigo chama a atenção para o facto da percentagem de portugueses que afirma ter o costume de ler por prazer, ter caído de 72% para 59% e realça que a tendência se verifica à escala global.
Mais, faz notar a gravidade do problema referindo que a edição da revista norte-americana “The Atlantic” publicou um ensaio extenso sobre o tema com o título “The Age of Reading is Over” (A Era da Leitura Acabou).
Uma passagem no texto remete-nos para a existência de estudos evidenciando que a proporcional redução dos hábitos de leitura é acompanhada por “… uma diminuição da capacidade de concentração, mas também por uma erosão de competências ligadas ao pensamento crítico, à interpretação e ao processamento sintático e semântico…”
É uma erosão que já se nota no quotidiano: alunos com menor resistência ao esforço mental, pessoas que lutam para manter foco contínuo, cidadãos que participam em debates com argumentos cada vez mais reativos, pouco profundos.
Pensando acerca do tema, recordei Fahrenheit 451, o romance distópico de Ray Bradbury. Atentei que alguns dos mecanismos sociais, tecnológicos e culturais que o autor imaginou estão hoje presentes.
Na obra ficcional, os livros tornaram se ilegais porque a sociedade já os tinha abandonado e os que restavam eram queimados para impedir que as pessoas pensassem, sentissem, comparassem, questionassem. Quem lia era visto como perigoso, estranho, subversivo. 
Hoje, os algoritmos de recomendação empurram para conteúdos fáceis, rápidos, e para notícias instantâneas que substituam análise por reação. Sente-se que paira no ar uma hostilidade ao conhecimento complexo — “se não cabe num vídeo de 30 segundos, não serve”.
Bradbury antecipou uma cultura onde pensar é desconfortável.


Observação: 451 graus Fahrenheit [233 ºC] é o valor clássico aceite para a temperatura de autoignição do papel comum usado nos livros. Curioso, não é?..

Universo original de Mochofino.- Ano II


 

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3 Comments

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Anónimo 7/9/26

Parabéns, Zé! Muito interessante. Gostei imenso.

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Muito obrigado, embora não saiba quem és.

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Anónimo 8/9/26

Sempre muito instrutivo. De facto, ler parece ter-se tornado um acto perigoso. Corre-se o risco de pensar pela propria cabeça, reflectir...

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Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino