A palavra arrogância tem ganho algum destaque e, à semelhança de tantas outras, sofreu uma mudança semântica: da ideia de “exige para si” passou a “atribuir a si” qualidades excessivas, sem fundamento que as sustente.
Hoje, arrogância está associada à altivez, à prepotência e ao desprezo pelos outros.
Vem isto a propósito do provérbio A arrogância vem antes da queda — e seria fácil para Mochofino, quase tentador, ligá‑la às declarações com que os políticos se brindam entre si.
Não vamos por aí.
Esta formulação encontra paralelo em A soberba precede a ruína, 16:18, do Livro dos Provérbios, e é a partir dela que estabelecemos uma ligação entre um dispositivo físico — o copo de Pitágoras — e o rei da Frígia, Tântalo, filho de Zeus e de uma ninfa, Plota.
A relação entre o provérbio bíblico e o copo de Pitágoras evidencia de forma clara que o excesso conduz à perda. Muito mais interessante.
Tântalo era um mortal admitido à mesa dos deuses e arriscava roubar néctar e ambrosia, as duas substâncias de que se alimentavam os deuses, distribuindo‑as depois por outros mortais.
De forma arrogante, ultrapassou todos os limites quando ousou testar a divindade dos deuses, servindo‑lhes a carne do próprio filho que mandou matar e cozinhar.
Descoberto o hediondo crime, como castigo, Tântalo foi condenado a ficar de joelhos (ou em pé) dentro de água, sem poder saciar a sede, pois sempre que se aproximava da água esta escoava completamente.
Quanto ao copo de Pitágoras, o dispositivo é constituído por um vaso que tem no interior um tubo de vidro recurvado com saída no fundo. Deitando água no copo, quando o nível atinge o ponto mais alto da curvatura do tubo, esta escoa‑se para o exterior. Se a água for reposta, o processo repete‑se.
Com base no mito, também é hoje conhecido por vaso de Tântalo.
Universo original de Mochofino.- Ano II
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