À semelhança de outros provérbios, podemos encontrar algumas variantes que ajudam a reforçar a interpretação que vamos fazer:
“Luar de janeiro não tem parceiro”
“Não há luar como o de janeiro”
“Ao luar de janeiro, conta-se dinheiro”
Estamos perante uma expressão que coloca lado a lado, de forma simples, acontecimentos naturais e humanos, singulares.
No mundo rural, iluminar um ribeiro significava ver caminhos, atravessar cursos de água, vigiar margens e animais. A expressão popular diz-nos de forma clara que o luar era bem-vindo para ajudar em tarefas que continuavam depois do sol-posto onde era necessário acomodar e proteger o gado.
Há uns séculos, um luar límpido não deixava de ser ajuda preciosa.
Normalmente o mês de janeiro é frio, as noites são longas e num céu limpo, uma noite de lua cheia será necessariamente deslumbrante. Mas a que se deverá esta singularidade?
Mochofino procura respostas e com alguma rapidez afasta o que não serve: a inclinação da Terra explica o frio, sim, mas não explica a claridade do luar.
Num ramo do carvalho observa com atenção o céu de janeiro e a luz que a água da barragem da Capinha também reflete.
O ar está frio, limpo e quase sem humidade… há pouca turbulência… e a Lua cheia, alta, muito alta, marca a sua presença.
“É isso”, conclui. “A luz solar refletida pela Lua percorre um trajeto ótico menor e, assim, não sofre tanta dispersão.”
Uma vez mais, a ciência ajudou-nos a compreender a causa — e a tradição recordou-nos a experiência dos que vieram antes de nós.
Universo original de Mochofino
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