O barato sai caro. Mas será sempre assim? Estaremos perante uma afirmação absoluta e verdadeira?
Esta expressão, numa leitura muito imediata, traduz a ideia de que escolher um produto ou um serviço pelo preço mais baixo pode resultar num gasto maior a longo prazo.
Acreditamos que esta leitura seja apoiada na convicção de que se descuidou a qualidade!
Mas será que o provérbio conclui que todo o produto ou serviço barato é de má qualidade e aceita como verdadeira a conclusão contrária, isto é, todo o produto ou serviço de qualidade tem de ser, obrigatoriamente, caro?
A dúvida é aceitável, mas pensamos que não haverá grande contestação em aceitar a ideia de que o provérbio alerta para a necessidade de pensar muito bem quando se toma a decisão de comprar, adquirir ou executar um determinado projeto.
O ditado alerta ainda contra o imediatismo, o pensamento a curto prazo, sugerindo que o custo final deve ser sempre considerado antes da decisão de comprar ou realizar e faz todo o sentido num momento de grande calamidade, as cheias que atingem grandes áreas do nosso país e concretamente o Baixo Mondego.
Durante séculos a água do Mondego, bem perto da foz, entrava, fertilizava e depois recuava. As aldeias erguiam‑se nas cotas mais altas, mais secas.
Mais tarde as casas foram sendo construídas onde o rio naturalmente se espraiava e, com o propósito de melhorar, começámos a construir onde o rio descansava. Chamámos a isso desenvolvimento, progresso, visão.
Os diques que foram construídos criaram a ilusão de segurança e décadas sem cheias apagaram a memória. Mas o sistema envelheceu, o clima mudou… e, na verdade, o leito do rio não desapareceu.
Quando a intervenção de manutenção foi sendo mais demorada, a água fez o que sempre faz: voltou e recuperou o que sempre lhe pertenceu.
O barato vai sair muito caro!
Universo original de Mochofino
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