Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Por mero acaso a publicação deste provérbio, escrito há semanas, acontece a 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e nele se evidencia o trabalho de Marie Curie, uma mulher ímpar.
Esta coincidência levou-nos à decisão de apresentar uma 1ª parte cruzando com o conhecido: “Atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher”.
… Há provérbios que sobrevivem ao tempo apenas porque são repetidos vezes sem conta e que, possivelmente, apenas espelham o modo de pensar de uma época e que, hoje, não fazem grande sentido ou pelo menos poderiam ser reescritos: - “Atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, é um deles.
De facto, carrega uma ideia que coloca a tónica no trabalho do homem e relega a mulher para um plano secundário, qual sombra virtuosa, presença que não reclama lugar. O provérbio tende a perpetuar uma hierarquia. O que não é aceitável.
No caso de Marie Curie, o provérbio não resiste ao confronto com os factos. Pierre Curie não estava à frente, e Marie não estava atrás. Trabalhavam lado a lado, no mesmo laboratório improvisado, na mesma exaustão, na mesma procura, com a mesma vontade.
A frase que a tradição nos deixou não explica o que aconteceu no seu laboratório, nem o que enfrentaram, nem o que descobriram. E muito menos o alto preço que pagaram.
O casal Curie ficou onde o valor do seu trabalho os colocou, juntos, lado a lado.
Na 2ª parte, na próxima semana, vamos focar-nos mais em Marie Curie, mas, agora, poderá ser lida de outra forma o: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Universo original de Mochofino
Tags :
ética
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resiliência
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