O provérbio “cada cabeça, sua sentença” diz-nos de forma inequívoca que cada um de nós tende a formular o seu juízo, qualquer que seja o tema. É um daqueles provérbios que, apesar de verdadeiros, pouco acrescentam.
Mas o que é elogiado por uns é, quase sempre, condenado por outros e quando tal acontece o final parece evidente: Quem vive para agradar a todos acaba por não agradar a ninguém.
Entre o sim e o não, surge o “nim” algo que se quer classificar como solução, mas mais não é do que uma solução enganosa.
No fundo corresponde a abdicar de uma convicção com medo de errar - começa a ser demasiado comum nos tempos que correm!
Quando se desiste de expressar opiniões bem formadas, renuncia-se à responsabilidade. É a fuga para a frente.
É por isso que o encontro entre este provérbio e a fábula “O velho, o rapaz e o burro” é inevitável. A história não denuncia o erro, denuncia a submissão ao olhar alheio. O velho deixa de agir segundo critério próprio e passa a mover‑se ao sabor da crítica: porque não vão no burro, porque vai ele montado ou porque vai o rapaz.
Perante as opiniões que vai ouvindo, oscila. Em desespero resolve carregar o burro às costas, é absurdo e revelador! É o momento em que a razão cede por completo à opinião alheia.
O velho já não decide, obedece ao sussurro das sentenças. Deixa de ser sujeito e já não age, apenas reage e ao carregar o burro torna-se seu servo, não por ignorância, mas por renúncia ao próprio juízo.
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ética
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resiliência
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