domingo, março 01, 2026

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Março marçagão de manhã inverno, à tarde verão.

 
Março é um daqueles meses que marca o tempo. O provérbio marca a experiência de quem trabalha o campo.
Depois de tantos meses de agrura invernal o final de março traz a luz e o calor que anuncia a primavera, mas os dias surgem muitas vezes com manhãs frias e tardes inesperadamente quentes.
O provérbio captura essa oscilação com grande precisão e a palavra marçagão [desabrido e áspero] introduz um exagero, um dramatismo, que torna o mês de março uma “personagem” de humor volátil.
A incerteza meteorológica gera desconforto e as pessoas interpretam as mudanças repentinas com uma boa dose de desconfiança.
Mas será que o desconforto e a desconfiança que este provérbio anuncia também poderá aplicar-se para além do clima?
Mochofino, sempre atento, intui que sim!
Este provérbio abre espaço a um subtexto, uma leitura simbólica que funciona como aviso de que a corrida ao armamento nuclear, que hoje volta à ordem do dia, é um bom (mau) exemplo.
Qual manhã invernosa, aponta-se a modernização dos arsenais nucleares como forma de dissuasão, de normalização e aceitação do risco.
À tarde, surgem declarações e fotografias de líderes sorridentes — é o verão que não convence.
Mochofino sabe bem que em março a inclinação da luz solar ainda predomina, o verão ainda está a quatro meses de chegar e não se deixa enganar quando a diplomacia veste um casaco de tecido leve e incapaz de proteger ou evitar que o corpo trema de frio.
O aviso permanece e o equilíbrio nuclear não é equilíbrio — é suspensão.
E, por isso, inquieto, observa com muita atenção, não para alarmar, mas para alertar.

Nota: O provérbio parece quase premonitório. E agora, com os ataques coordenados dos EUA e Israel contra o Irão, essa leitura simbólica ganha uma gravidade inesperada.

Universo original de Mochofino

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2 Comments

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Anónimo 1/3/26

E, foi no inverno da manhã. Que a tarde traga o verão e as águas tranquilas.

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Bons tempos, necessitam-se.

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O comentário está acessível

Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino