Como sempre é possível interpretações diversas para os provérbios, algumas chegam a ser antagónicas!
A expressão “vara na mão” tem um significado ligado à ideia de autoridade, poder de correção ou capacidade de impor disciplina.
Mas, associada ao exercício do poder (ainda que lida como metáfora para a autoridade) e ao recurso à palavra vilão, faz emergir a ideia de autoritarismo.
A leitura mais comum transporta-nos para a ideia de que a verdadeira natureza das pessoas somente será conhecida quando detêm o poder. Esta é a interpretação moderna e é um desvio tardio: nasce da desconfiança do poder.
Ora, do ponto de vista cultural, a vara é medida e critério, o vilão é quem se afasta da medida e quando há vara, o desvio torna se visível. O vilão é revelado.
Por isso Mochofino ousa afirmar que o provérbio não diz que a vara cria o vilão e não diz que a vara identifica o vilão. O que o provérbio diz é que a vara revela o vilão!
Olhando para o presente, é natural que as pessoas façam uma leitura moderna projetada sobre o provérbio identificando o modo de atuar de decisores políticos que, com o poder que a vara lhes concede, se tornam ou se revelam como verdadeiros vilões.
Numa conceção crítica do mundo atual, quem recebe a vara pode tornar se vilão, pois o poder corrompe, mas esta é uma visão moderna, marcada pela ironia.
Universo original de Mochofino
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