Mochofino detém-se no tema que é caro a ambos: o trabalho.
Não é difícil encontrar um ditado que inclua a palavra.
Todos a associamos a atividades, físicas ou intelectuais, que permitem alcançar objetivos, produzir bens ou prestar serviços.
O trabalho dignifica. E a sua dignidade assenta em pilares fundamentais: liberdade na escolha, direitos, proteção social e diálogo.
Mas a atenção recaiu sobre: Trabalho é meio de vida e não de morte.
Desde logo porque envolve dois vocábulos antónimos ligados pela palavra trabalho. Longe estávamos de imaginar onde nos levou a origem da palavra.
A palavra surpreende. Vem de um instrumento de tortura, composto por três varas ou paus, o tripalium. E isso muda a forma como a lemos. Tripaliare era um verbo que significava torturar no tripalium. Daí evoluiu para o francês travailler e, mais tarde, para o português trabalhar.
Com o tempo, o sentido evoluiu para representar um esforço muito intenso e, mais tarde, para exercer um ofício. Mas o sentido inicial era literal: trabalhava quem era castigado. Estava associado à punição ou à condição (escravos), provocava dor extrema e, não poucas vezes, a morte.
O provérbio afirma que o trabalho existe para sustentar a vida, não para a destruir.
Coloca a vida humana acima da produtividade.
Confronta jornadas excessivas, precariedade, exploração e a normalização da dor no trabalho.
Lembra que o trabalho é um meio, nunca um fim.
Deve elevar a dignidade, não sacrificá‑la.
Mochofino apreendeu a profundidade do provérbio e o seu alerta: meio de vida, não de morte.
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