domingo, junho 21, 2026

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Roma e Pavia não se fizeram num dia

   

Portugal foi fustigado, num curto intervalo de tempo, por uma sucessão de depressões atlânticas que deixaram a zona centro em ruína. A tempestade Kristin foi a mais violenta: arrancou árvores pela raiz, cortou-as ao meio, destruiu estradas, derrubou postes, arrasou casas e deixou a paisagem irreconhecível. A dimensão dos prejuízos tornou evidente que a recuperação não se mede em semanas. Levará meses, anos — e, no caso da floresta, décadas.

Há dias passei pela região afetada. Muitas árvores continuam quebradas, inclinadas como testemunhas de algo que passou depressa demais. A paisagem é desoladora, marcada pelo que desapareceu e pelo que ainda não regressou.

Foi nesse momento que surgiu na memória o provérbio e a curiosidade de o revisitar. “Roma e Pavia não se fizeram num dia” fala de tempo, persistência e construção lenta. A tempestade mostra o contrário: destruição súbita, violência, fragilidade das coisas feitas pelo homem.

A tempestade derruba em minutos o que levou anos a erguer. O provérbio lembra que reconstruir leva tempo.

A máxima nasce na Idade Média francesa e dizia apenas que "Roma não se fez num dia". A versão portuguesa acrescentou Pavia, e é geralmente aceite que o fez por necessidade rítmica com a palavra dia.

Uma leitura apressada tende a diminuir a importância de Pavia perante Roma. Será verdade se pensarmos apenas em imponência, grandiosidade ou civilização antiga. Mas, cultural e historicamente, Pavia não é de desprezar: foi capital da Lombardia, centro universitário de prestígio e palco de episódios decisivos da história europeia.

A rima pode ter guiado a forma, mas não apaga o peso da cidade.

Mochofino diria que, entre a rapidez do que cai e a lentidão do que se levanta, ficamos nós — a aprender a ser pacientes, a aceitar que a obra humana é sempre mais frágil do que gostaríamos e que tudo leva tempo a fazer.

Universo original de Mochofino.

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3 Comments

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Anónimo 21/6/26

A pressa raramente substitui o trabalho persistente.

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carlos manuel bernardino geraldes 21/6/26

A pressa raramente substitui o trabalho persistente. Isto é, os projetos importantes exigem tempo, esforço e paciência.

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Costuma dizer-se que o ótimo é inimigo do bom. Aqui aplica-se. A necessidade atual de ter respostas imediatas e quase instantâneas leva muitas vezes ao erro. É preciso parar um pouco e pensar, ser paciente como diz o Carlos no seu comentário.

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Autor - José Pina

Autor - José Pina
Universo original de Mochofino