Há provérbios cuja interpretação parece consensual, aceitando-se que para situações impossíveis de mudar a melhor atitude é aceitar e continuar.
No site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa,
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-significado-de-o-que-nao-tem-remedio-remediado-esta/25918# podemos ler que “este provérbio é denotativo porque corresponde a uma declaração pragmática, visto que a experiência nos demonstra que aquilo que não tem remédio não poderá ser remediado.”
Literalmente a expressão sugere que aquilo que não tem solução já está resolvido pela própria impossibilidade de o resolver.
Mas até onde nos pode levar esta inevitável a aceitação?
Se o quisermos ler no contexto dos anos 1930–40, rapidamente verificamos que os regimes autoritários se apresentaram como “remédio inevitável” para crises, impondo a resignação coletiva. De alguma forma o provérbio acaba por “legitimar” uma solução imposta, mesmo que não seja justa, porque se apresenta como a única saída.
Como exemplo recordemos duas frases que ecoam a resignação e a legitimação do poder absoluto:
Alemanha Nazi (Hitler): O verdadeiro caminho é seguir as ordens do líder.
Portugal no Estado Novo (Salazar): A liberdade é uma necessidade, mas dentro da ordem. / Se o povo soubesse quanto custa governar, não quereria governar.
E se não quisermos recuar tanto no tempo, é suficiente estar atento ao que hoje começa a acontecer, e que é uma erosão democrática, quando governantes eleitos, vão gradualmente concentrando poder, enfraquecendo instituições e controlando a imprensa… a narrativa oficial apresenta o regime como a única forma de proteger a soberania e a ordem.
A resignação pode conduzir à aceitação como remédio o que não é desejável, pois é uma má solução! Mochofino nunca aceitará a resignação, lembra que há sempre alternativa, mesmo quando dizem que não há.
A memória funciona como contraponto à resignação e transforma o inevitável em resistência. A palavra desistir não deve fazer parte do léxico democrático.
Bom Ano Novo.
Subscribe by Email
Follow Updates Articles from This Blog via Email

No Comments
O comentário está acessível