Talvez não seja dos provérbios mais conhecidos, mas não parece daqueles que envolvam múltiplas camadas de interpretação.
A loucura, mais do que um termo médico, é uma construção social e cultural usada identificar desvios. Os deuses do Olimpo eram frequentemente retratados como seres passionais e vingativos, que utilizavam a “loucura divina" como uma ferramenta para demonstrar o seu poder sobre os mortais. Mas hoje, a loucura já não vem dos deuses, mas das decisões humanas.
Mochofino está inquieto, pois paira no ar que o futuro trará uma serra ferida, esburacada, e um rio poluído. E murmura: loucuras não remedeiam loucuras.
A pressa humana raramente escuta o som da água corrente.
O lítio é hoje símbolo de transição para um modelo de desenvolvimento mais verde e apresentado como uma necessidade estratégica, mas há um recurso mais crítico do que o lítio: a água.
Como forma de tranquilizar defende-se que a exploração será feita com segurança e tecnologia avançada, com monitorização permanente, recorrendo a boas práticas ambientais, mitigação de impactos e planos de recuperação paisagística.
Mas a geologia da Argemela e a proximidade do Zêzere tornam esta promessa frágil!
Extrair lítio numa encosta inclinada, com solos instáveis e linhas de água rápidas, sobre um rio que alimenta meio país, é uma decisão que não resiste a uma análise mais profunda.
É verdade que o lítio tem um papel importante na transição energética, mas exige inteligência, não precipitação.
Importa ter em atenção que a tecnologia está a evoluir para baterias menos dependente de lítio, que a reciclagem de baterias tenderá a reduzir a procura.
Mais, a maior parte do lítio usado a nível mundial não vem de minas a céu aberto.
Esventrar uma serra com recurso a dinamite e a escavadoras, não será uma loucura geológica? A Serra da Argemela, o rio Zêzere, todo o território do interior e as suas populações exigem respeito e atenção, não decisões rápidas e pouco pensadas.
Sem água, não há vida, não há agricultura, não há permanência.
Sacrificar água para obter lítio é trocar o essencial pelo útil.
Assim, questionamo-nos se, para combater um problema energético se tenha de destruir uma serra e pôr em causa a qualidade da água de um dos maiores rios portugueses, não estaremos perante uma decisão de remediar uma loucura com outra.
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3 Comments
Extração de lítio nessa serra é mesmo hipótese?
Reply DeleteEnquanto o processo, não está fechado e a reserva tem algum significado. Os impactos são reais e alguns não tiveram o eco que merem, nomeadamente passagem de explosivos por dentro da cidade!
Reply DeleteEnquanto o processo, não está fechado e a reserva tem algum significado. Os impactos são reais e alguns não tiveram o eco que merem, nomeadamente passagem de explosivos por dentro da cidade!
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