A leitura do provérbio ‘Quanto mais se serve, menos se vale’ coincidiu com um episódio quase rocambolesco protagonizado por duas figuras públicas. A coincidência é, por si só, reveladora.
Sobre a utilização da base das Lajes, dizem coisas diferentes — e até contraditórias. Um garante que houve autorização sem pedido. O outro afirma que o pedido só surgiu depois da missão estar concretizada.
Esta situação caricata e preocupante fez-me recuar ao primeiro texto que publiquei no blogue —o que me levou a iniciar este caminho na tentativa de perceber o que se esconde por detrás de cada provérbio.
Recordo “Não sei qual o momento, muito menos o contexto, em que pela primeira vez ouvi: A tudo Nosso Senhor nos leva, se a saúde não nos faltar".
Mochofino, sempre atento ao que se passa, já não se espanta. Agita-se e incomoda-se com a repetição deste velho padrão humano, que tende a repetir-se. É apenas mais um capítulo da eterna história entre quem serve e quem é servido.
O episódio interessa pelo reflexo que produz e mostra, de forma crua, que quem serve demasiado acaba tratado como quem não precisa de saber. Quando alguém se habitua a servir, o outro habitua-se a não explicar.
Quem serve acredita que faz o que deve ser feito — e que isso será reconhecido. O que não espera é que quem é servido tome o gesto como natural. É precisamente aqui que o provérbio captura crueldade da realidade, dar tudo e ainda assim valer menos.
Importa perceber que é possível servir, mas sem se apagar.
Servir é nobre. Mas servir sem medida leva o outro a não medir o valor do que recebe.
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2 Comments
A qualidade de quem é servido tem um peso.....!Tenho ideia de ter vivido uma época em que se ensinava( algures) a servir e ser servido.....Obrigada pelas suas reflexoes
Reply DeleteObrigado pelo incentivo.
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